DIS2.0 + (autofalante)

terça-feira, 17 de setembro de 2013

TÃO PERTO

Estávamos no 6º e ela no 2º andar. Nunca cheguei a vê-la até toda sua vida ser relatada em um comunicado interno no elevador. Tinha síndrome do pânico advinda de um término de relacionamento e sentia-se perseguida pelo antigo namorado e pela ex-sogra. Era instrumentador cirúrgica e, um dia, após chamar a policia crendo ter alguém em seu apartamento, ligou para a amiga chorando dizendo que iria se matar. Minutos depois, quando os bombeiros adentraram o apartamento, encontraram-na com um corte feito por bisturi na virilha e nos pulso. Ainda respirava, mas, não sobreviveu. No condomínio não possuem contato de ninguém da família. Provavelmente era alguém afastada de familiares por motivos sabe-se lá qual. Eu poderia não me importar, não ler o informativo, e deixar essa história de lado se não fosse pelo motivo de que, o que me distanciava dessa garota, eram somente quatro andares.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

POR QUE ESTAMOS NA RUA?

      Estamos na rua porque as varias petições que nós brasileiros assinamos desde sempre nunca foram atendidas.



       Você ai sentado, já assinou alguma petição que tenha sido atendida?! Eu nunca. De cachorrinhos que são maltratados em industrias de cosméticos até punição para políticos corruptos, nenhuma delas surtiu efeito.  Veja a última petição assinada por dois milhões de pessoas pedindo o impeachment do Renam Calheiros! Independente da validade jurídica desta, o número de assinantes deveria ser um termômetro social para que os políticos medissem seu nível de satisfação e mudassem sua postura diante do eleitorado.

     A sociedade está se impondo da mesma forma que o governo se impõe. Eles avisam da noite para o dia os cargos de confiança do governo que serão assumidos por políticos não bem quistos , aumentam a passagem sem antes argumentar com a população o que está sendo feito e o porquê, criam emendas constitucionais absurdas ou colocam em pauta bizarrices como a "cura-gay", implantam hidroelétricas em locais de preservação ambiental, desocupam índios de suas terras e por ai vai. Assim, a população acaba por torna-se um espelho do que vêem na politica: avisa da noite para o dia onde será a manifestação, realiza esta da forma como quer e do jeito que quer, não se propõe a abertura de diálogos pois isso nunca foi oferecido a ela e move-se organicamente pois é apartidária. A rua hoje é um reflexo do que não foi feito pelos políticos. E não adianta colocar somente a culpa em quem não sabe votar, pois, vivemos em um pais em que isso não ensinado nas escolas. As pessoas não sabem interpretar texto e você ainda argumenta que o problema do país é porque as pessoas não sabem votar?! É muito simplistas essas ideias de Dona Maria (Dona Maria é modo de falar, desculpe aí a minha Vó) que dizem "ah, mas pukê o povo também!!! Ah, mas também o povo não faz isso!!! Ah, mas também joga lixo na lixeira!!! Ah, mas também quebraram não sei o que e isso invalida tudo que foi feito até agora!!!". O que posso dizer desse comentários é um onomatopeico afe!


      O conselho que daria a todos nós é entendermos mais sobre tudo o que está acontecendo, aprofundarmos um pouco mais. Entenda que tudo isso que está acontecendo é muito maior do que os cientistas políticos sabem pois é novo. Não assinem petições. Assistam a TV cultura e os debates que estão acontecendo e parem de gastar o tempo propondo coisas que não infundadas e que não serão atendidas, pois, que força politica você tem para dizer qualquer coisa? A verdade é que ninguém nos escuta. Quando dizer alguma coisa que suas palavras sirvam para construir. E se você não tem força para isso (contatos políticos) use suas pernas nas ruas para protestar. O medo que os políticos estão sentindo agora farão eles repensarem. E, se mudarem somente por um tempo e depois voltarem a fazer tudo como antes, voltaremos para as ruas novamente. 


     A rua é o que nos resta.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

LUTE CONTRA SUA PRÓPRIA HOMOFOBIA
(Texto somente para gays)

                 As vezes, ao lutarmos pela conquistas dos nossos direitos, nem sequer nos atemos ao fato de que, por termos crescido em uma sociedade homofóbica e heteronormativa, sem querer reproduzimos, mesmo que seja através do nosso inconsciente, os mesmos padrões discriminatórios com os quais fomos criados.

               Sendo assim, não é difícil vermos situações como as que descreverei abaixo:

1)   Pessoas que concordam que as religiões tem o direito de ter opinião contrária à homossexualidade. Agir assim, é o mesmo que concordar que, durante toda a historia da religião, não entrarei aqui no mérito das denominações religiosas, nos períodos em que ela matou cientistas por dizerem que o sol era o centro do nosso sistema solar, queimou mulheres por acharem que estas eram bruxas, escravizou negros por acharem que eles eram inferiores aos brancos, ela estava agindo certo, pois, todos tem o direito de professar a sua fé. Dizer que Deus julgará uma pessoas por ser homossexual é ser homofóbico e, apoiar quem faz isso também é homofobia internalizada.

      2)      Ser convidado para sair com algum amigo “afeminado” e ter vergonha de ser visto com ele. Neste caso, e outros que descreverei aqui, nem explicarei que tal ato se trata de homofobia, pois, ter que esclarecer isso para alguém, é supor que a outra pessoa é tão cega que nem este texto ela poderá ler.

3   3)     Você não vai a parada gay pois aquilo não é mais uma manifestação e sim uma festa cheia de gente promiscua. Sim, aquilo é uma festa. Sim, há pessoas promiscuas. Não, não há 2.000.000 de pessoas fazendo sexo pelas ruas. Sim, há pessoas que levam cartazes com temas políticos. Ou seja, procure direcionar seu olhar para aquilo que é bom para você. Não use argumentos de homofóbicos para desmerecer a parada gay. Faça sua parte, leve seu cartaz. Deixe cada um fazer sua forma de protesto e, independente de haver protesto ou não saiba que, somente pelo fato das prefeituras  permitirem as paradas gays isso já torna a passeata política, pois, em alguns países gays podem ser presos e mortos por se reunirem nas ruas. Aprenda a celebrar! Vá para a festa/parada gay!

    4)     Ser chamado para um casamento gay, mas, não querer que as fotos na qual você aparece sejam divulgadas - sem comentários.

5    5)     Ter medo de dizer a verdade quando te perguntam: “Você é gay?” Muitos escorrem pela tangente dizendo: “Minha intimidade só pertence a mim”. Sim, ela só pertence a você. Mas, o que te faz supor que sua intimidade não foi revelada com essa resposta? Que heterossexual teria a vergonha de dizer que “Não! Não sou gay! Sou hetero”?! Se você acabou se expondo com essa resposta, tenha consciência de que, responder que sim, é o mais verdadeiro que você poderá fazer a sí mesmo.

6    6)     Você está em um relacionamento há 2 anos com alguém e te perguntam: “Você namora? Qual o nome dela?”. Novamente você responde: “Não vou dizer.” Oi?! Onde você está querendo esconder sua privacidade? Que tipo de pessoa você acha que não responderia uma pergunta dessa? Lógico que só um gay homofóbico faria isso. Então João responda que seu namorado se chama Carlos!!!

7  7)   Você vai casar e quer “preservar” sua família da noticia, pois, eles não aprovam o casamento homoafetivo. A decisão de ir, não ir, recriminar, aceitar, mudar, cabe somente a eles. Vejo muitas pessoas “protegendo” seus familiares dessas e outras noticias. O que elas querem dizer com proteção? Quem age assim não está permitindo a evolução do outro. Se eles nunca se confrontarem com essa situação jamais poderão dizer se são realmente contra ou a favor. Surpreenda-se e tenha ao seu lado pessoas que te amam de verdade ao aceitarem seu convite e de a oportunidade para os preconceituosos lidarem com isso na vida deles. Esconder-se deles é fomentar a homofobia que há em você e no outro.

     8)   Você quer casar ou assumir um compromisso, mas, não quer usar aliança, pois, afinal o que o pessoal do trabalho poderia pensar de você?! Saiba que, em um relacionamento, ainda mais depois que você casa, a outra pessoa passa a ser o principal responsável por você. Quando um dia você estiver doente no hospital, quem terá direito de ficar ao seu lado será somente sua esposa ou marido. Não adianta querer esconder sua vida privada, pois, mais  dias ou menos dias você terá de encarar isso quer seja para comprar um imóvel, ou tirar um passaporte, ser internado em um hospital, enfim, você será constantemente confrontado com a situação normal de mostrar com quem você se relaciona. Logo, perca esse medo de ter uma aliança em sua mãos e, se perguntarem o nome do seu marido ou esposa, responda com sinceridade. Lembre-se, é problema do outro lidar com a homofobia dele e não sua.

              Resolvi escrever um pouco sobre isso, pois, vejo todos os dias meus amigos gays tendo uma postura homofóbica. E o pior disso tudo não é a homofobia em questão, mas, sim, não terem a mínima consciência de que estão agindo assim.


              Podemos lutar contra políticos, religiosos, família ou vizinhos, mas, se não lutarmos contra nós mesmos,  a conquista de nossa batalha será muito mais difícil.

domingo, 12 de julho de 2009

Máximas e trechos 01

“Há uma certa previsibilidade na tristeza,
o que me deixa mais feliz à imprevisibilidade da alegria.”
(Vagno Fernandes)
“O que não me viabiliza,
favor conceder-me 10 minutos de silêncio.”
(Vagno Fernandes)
“Deus seria uma figura mais interessante
se não fosse intermediado por seres humanos.”
(Vagno Fernandes)
Ela começou a se preocupar com a localização exata de Deus. A culpa era da professora: Deus está em toda parte, ela tinha dito, e Laura queria saber: Deus estava no sol, Deus estava na lua, Deus estava na cozinha, no banheiro ou debaixo da cama. (Eu gostaria de torcer o pescoço dessa mulher, Reenie dizia.) Laura não queria que Deus aparecesse de repente na frente dela, o que não era difícil de entender considerando o comportamento recente dele, como diziam: Havia levado sua mãe. Abra a boca e feche os olhos e eu lhe darei uma grande surpresa, Reenie costumava dizer, segurando um biscoito com a mão escondida atrás das costas, mas Laura não fazia mais isso. Ela queria ter os olhos bem abertos. Não que ela não confiasse em Reenie, era só porque tinha medo de surpresas.
Deus devia estar no armário de vassouras. Parecia o lugar mais provável. Ele estava espreitando ali como algum tio excêntrico e possivelmente perigoso, mas ela não podia ter certeza se ele estaria lá num determinado momento porque tinha medo de abrir a porta. “Deus está no seu coração”, dizia a professora da escola dominical, e isso era pior ainda. Se ele tivesse no armário de vassouras ainda seria possível fazer alguma coisa, como trancar a porta por exemplo.
Deus não dormia nunca, dizia o hino – nenhum sono despreocupado cerrará suas pálpebras. Em vez de dormir, ele andava pela casa à noite, espionando as pessoas – vendo se elas haviam sido boas, ou enviando pestes para acabar com elas, ou realizando algum outro capricho. Mais cedo ou mais tarde ele ia acabar fazendo algo desagradável, como acontecia freqüentemente na Bíblia. – Presta atenção, é ele – Laura costumava dizer. O passo leve, o passo pesado.
- Isso não é Deus. É apenas o papai. Ele está na torrinha.
- O que ele está fazendo lá?
- Fumando. – Eu não queria dizer bebendo. Parecia desleal.
(Margaret Atwood)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Da outra parte que nos faz parte

Consequentemente, aqui estou 27 anos. Verbos em primeira pessoa me irritam. No entanto, é inegável que a responsabilidade é toda minha. Pequeno Príncipe por vezes também me irrita, não que eu tenha medo dos meus afazeres afetivos, talvez um pouco de receio. Porque foi assim: um quarto, uma criança, uma escola, uma família e 27 anos divididos em blocos assim: 1-4, 4-8, 8-12, 12-16, 16-20, 20-24, 24-25 de agosto de 2009 ainda se aproximando e eu com essa coisa toda de ter vivido, compreender o presente, tentar não me preocupar com o futuro e aprender com quem eu menos tenha me dedicado, mas recebido o amor sincero que espera alguém que ainda virá, alguém que me emociona pelo bem que fiz a mim mesmo: perdoar quem não cometeu pecados e que em minha vida preparou santidade e união – famílias, amigos e amores incompreendidos. Ainda de posse de meu corpo enrigecido de constantes autopunições, tento carregá-los como sobrinhos recém nascidos, braços enfraquecidos, procuro a força que mantêm os fracos de pé para conseguir escapar, sim, da vida coerente que eu pensava ser mais fácil manipular – o receio vem do medo de um dia cambalear o suficiente para não transportá-los durante todo o trajeto. Por enquanto, vou pra Minas e em Sampa trabalho com possibilidades já conquistadas e outras tão puras que estão por vir.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

MALDITA BIOLOGIA

Ainda hoje no dentista fiquei surpreso comigo mesmo por saber, anteriormente, que a arcada dentária possui dentes molares, pré-molares, caninos e incisivos. “O aparelho somente conseguiu movimentar os dentes pré-molares...” Poderia ter dito que “houve somente o movimento desse dente aqui ó!” Certamente a culpa foi de alguma dessas aulas de biologia sobre o corpo humano nas quais insistiam que deveríamos conhecer o nosso próprio corpo, caso contrário, seríamos ignorantes seres humanos; biólogos. Não desmereço o ensino que me foi dado. Ensino é ensino. Informação é sempre bom. Só me pergunto, POR QUE MEU DEUS!? Queria tanto citar qualquer mínimo trecho de Camões de cor (mesmo odiando) em alguma mesma de bar...mas não, só poderia falar sobre dentes, movimentos retilíneos uniformes, raiz quadrada e coisas que todo mundo em uma roda de amigos adoram conversar. Agora, sou obrigado a fazer pré-vestibular de cultura, decorar qualquer texto obrigado porque minha memória já não tem tempo de fazer isso automaticamente. Relativizamos a cultura que nos serve realmente. Se somente me informassem que os genes são degraus de uma escada de Dali onde se encontram o que somos por dentro e por fora, pronto, já bastaria. Porém, fizeram-me decorar todo aquele processo que uma coisinha se liga a outra e vai se misturando, agora não me lembro o nome mas tenho as imagens todas em minha mente. E que imagens!!! Tão desanimadoras quanto a criação de caramujos do meu tio. Agora vivo em meio a uma geração de biólogos natos que não me possibilitam nem escrever um texto acima de 144 caracteres. E ainda inventaram o Twitter para incentivar o diálogo e a exposição de opinião das pessoas de forma rápida. Talvez haja uma distorção da realidade ou então esse é o FUTURO!!!! Afinal, já estamos em 2010, modernos, e tal, chiclete... Outro dia, ainda no dentista, na verdade na minha primeira consulta, revelei que aquela era a primeira vez que estava indo a um dentista em toda minha vida. O dentista surpreso, ainda mais depois de elogiar minha ÓTIMA dentição (frisou isso várias vezes, o que me fez sentir-me envaidecido e ficar rindo o dia todo, afinal, não é todo dia que recebemos elogios tão convictos que podem ser constatados em moldes de resina e expostos em raio X) disse: Não Acredito!!! (Quantas exclamações somos capazes de colocar atrás da gente durante toda vida? Interrogações eu sei bem...) Após sua surpresa eu perguntei: Quantas vezes você já contratou um arquiteto para fazer ou decorar sua casa: Ele: Nenhuma. Eu: Não acredito!!! Tá vendo, ta vendo! É quando digo: É TUDO CULPA DA BIOLOGIA.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

FESTA DE ARROMBA

A guerra entre o Cale-se Pai e o Por Favor Pare Agora na dec. 60 do século passado deu por vitoriosa a Wanderlea.

Foi fácil nos acomodarmos após uma luta de apenas 20 anos para que pudéssemos nos reproduzir e criar uma geração acostumada a ser passiva ante seus direitos, vender suas opiniões (dar “de graça” ou até mesmo não as ter) e ver a impossibilidade de mudança por serem incapazes de verificar quaisquer mudanças neles mesmos.

Atualmente, nos vemos cheios de iê-iê-iê até a tampa. Não podemos pensar e nem dizer, quem foi que disse que nos livramos da ditadura?! Qualquer raciocínio lógico soa com filosófico demais, exagerado demais, sério, frustrado ou mal-amado demais. Relativizamos a censura e procuramos atingir o público alvo. Os que não forem alvo que procurem ser menos subjetivos.

Mesmo humilhada, que a “outra” seja enaltecida à “santa”.

Amém.