“Há uma certa previsibilidade na tristeza,
o que me deixa mais feliz à imprevisibilidade da alegria.”
(Vagno Fernandes)
“O que não me viabiliza,
favor conceder-me 10 minutos de silêncio.”
(Vagno Fernandes)
“Deus seria uma figura mais interessante
se não fosse intermediado por seres humanos.”
(Vagno Fernandes)
Ela começou a se preocupar com a localização exata de Deus. A culpa era da professora: Deus está em toda parte, ela tinha dito, e Laura queria saber: Deus estava no sol, Deus estava na lua, Deus estava na cozinha, no banheiro ou debaixo da cama. (Eu gostaria de torcer o pescoço dessa mulher, Reenie dizia.) Laura não queria que Deus aparecesse de repente na frente dela, o que não era difícil de entender considerando o comportamento recente dele, como diziam: Havia levado sua mãe. Abra a boca e feche os olhos e eu lhe darei uma grande surpresa, Reenie costumava dizer, segurando um biscoito com a mão escondida atrás das costas, mas Laura não fazia mais isso. Ela queria ter os olhos bem abertos. Não que ela não confiasse em Reenie, era só porque tinha medo de surpresas.
Deus devia estar no armário de vassouras. Parecia o lugar mais provável. Ele estava espreitando ali como algum tio excêntrico e possivelmente perigoso, mas ela não podia ter certeza se ele estaria lá num determinado momento porque tinha medo de abrir a porta. “Deus está no seu coração”, dizia a professora da escola dominical, e isso era pior ainda. Se ele tivesse no armário de vassouras ainda seria possível fazer alguma coisa, como trancar a porta por exemplo.
Deus não dormia nunca, dizia o hino – nenhum sono despreocupado cerrará suas pálpebras. Em vez de dormir, ele andava pela casa à noite, espionando as pessoas – vendo se elas haviam sido boas, ou enviando pestes para acabar com elas, ou realizando algum outro capricho. Mais cedo ou mais tarde ele ia acabar fazendo algo desagradável, como acontecia freqüentemente na Bíblia. – Presta atenção, é ele – Laura costumava dizer. O passo leve, o passo pesado.
- Isso não é Deus. É apenas o papai. Ele está na torrinha.
- O que ele está fazendo lá?
- Fumando. – Eu não queria dizer bebendo. Parecia desleal.
(Margaret Atwood)
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